
O TRABALHO
Desde há muitos anos atrás, que o dia a dia dos sobralmagrenses se repete sempre da mesma maneira. Os seus habitantes, trabalhavam de sol a sol. Ainda de alpardo, levantavam-se e tomavam o mata bicho. Seguiam depois para o mato. Há alguns anos atrás, as povoações desta zona serrana eram bastante habitadas pois as famílias eram numerosas. O mato escasseava e muitas vezes tinham que se deslocar para bem longe da povoação para roçarem um molho de mato. Calcorreavam por caminhos pedregosos, encosta acima, levando consigo os animais que pastavam entre giestas, moitas, tojos e carquejas, enquanto o seus donos arranjavam o molho. De seguida, regressavam ao curral. Aí espalhavam o mato, que ao longo do dia ia servir de alimento e de cama aos animais e que mais tarde, era aproveitado para fertilizar as terras de cultivo.

As ovelhas e cabras eram então ordenhadas. Tratavam o porco, galinhas e coelhos.
Chegava então a hora do almoço, por volta das 8-9 horas. Nesta altura o apetite já era grande, pois tinham começado a trabalhar muito cedo.
Seguiam depois para os campos onde procediam aos trabalhos agrícolas próprios de cada época, regressando ao meio dia para o jantar.
Após o jantar, fazia-se uma pausa e, aproveitando a hora de maior calor, uns dormiam a sesta enquanto outros aproveitavam para se distrair: os homens juntavam-se na taberna onde conversavam e jogavam às cartas. As mulheres juntavam-se e remendavam roupas, faziam renda, conversavam ou iam para o tanque lavar a roupa.

Havia um tanque no Largo da Barroca, onde as mulheres e raparigas se juntavam e lavavam as suas roupas pobres e gastas.Usavam o sabão azul e branco e como não havia lixívia faziam a barrela ou punham a roupa a corar para melhor tirar a sujidade.
Durante este trabalho, aproveitavam para pôr a conversa em dia e lavavam a roupa suja da aldeia. Assim iam sabendo da vida umas das outras.
Acabado o descanso, merendavam e seguiam de novo para as fazendas, onde os trabalhos se sucediam até ao anoitecer. Quando regressavam a casa, muitas vezes carregavam ainda um molho de lenha para se prevenirem para o Inverno. Enquanto as mulheres preparavam a ceia, as raparigas e crianças iam acartar água. Levavam um cântaro à cabeça, que enchiam na mina velha da barroca de S. Domingos, na do Paraíso, ou mesmo na nascente de água das Fontes (o Balouco).
Esse trabalho era feito de chafurdo, até serem colocadas torneiras nas minas e construídas as várias fontes existentes na povoação. Durante muitos anos, a água foi uma das grandes necessidades da povoação.

Junto às minas ou às fontes, juntavam-se grandes grupos de raparigas que, enquanto esperavam a sua vez de encher o cântaro, aproveitavam para saber mais algumas novidades da povoação. Depois regressavam a casa com o cântaro cheio, para a última refeição do dia (a ceia) à qual se seguia o serão. Algumas mulheres dobavam tecidos velhos para fazerem as mantas de fitas; os mais pequenos faziam os trabalhos da escola; as raparigas saiam e iam juntar-se numa casa previamente combinada e aí se distraíam entoando e dançando cantigas de roda ao som do toque da flaita, do harmónio, ou da concertina. Muitas pessoas aproveitavam para escrever cartas aos seus familiares ou namorados.
No Inverno, o trabalho era mais leve, mas nem mesmo assim paravam. Havia que apanhar a azeitona, podar e atar as videiras,…Mas o clima desta época do ano permitia que as pessoas descansassem um pouco mais e se preparassem para um novo ano de trabalho árduo.
Para além dos trabalhos agrícolas e de criação de gado, Sobral Magro, foi no passado, terra de muitas profissões: ferreiros, sapateiros, carvoeiros e eram afamados os seus pedreiros, carpinteiros , ...
Na construção, alguns naturais de Sobral Magro ganharam nome na região e eram solicitados para irem trabalhar para outras terras vizinhas .
Algumas raparigas, sempre que podiam, iam vender a outras terras produtos que sobravam às suas famílias; outras vendiam sardinha, trabalhavam na resina, andavam aos dias de ajuda no campo ou no transporte dos materiais de construção.

O carvão foi também há anos atrás, uma das fontes de subsistência de alguns naturais da povoação.
Da urze que abunda nas montanhas envolventes, eram tiradas as torgas que se punham a arder , tapadas com terra, para não. Durante algum tempo ardiam lentamente até ficarem em carvão. Nessa altura era tirado para não arder na totalidade, depois ensacado e vendido. Assim, ganhavam algum dinheiro.
Houve também ferreiros de nomeada na nossa terra. Aqui se deslocavam pessoas, algumas vindas de bem longe, para mandar ferrar os seus cavalos, éguas, machos,... Havia mesmo uma família que era conhecida pela alcunha de Ferreiros.
Em Sobral Magro nasceu também a família a que chamavam os Comediantes. Esta família migrou para Lisboa e foram donos de um famoso Circo – o Circo Mariano.
O COMÉRCIO
Havia na povoação alguns comerciantes. A família do ti Miguelnegociava em gado. Compravam, vendiam e matavam cabras e ovelhas, de terra em terra. Faziam também comércio de peles.

Na povoação, ao longo dos tempos, existiram várias tabernas. As últimas foram a do ti Custódio e a do ti Pereira. Era lá que se comprava tudo o que fazia falta e que o campo ou os animais não davam.
Era lá também o ponto de encontro onde se sabiam notícias do resto do país.
Na taberna do ti Custódio funcionou a partir de certa altura o telefone público. Era a partir dele que se fazia a ligação de várias outras terras (Soito da Ruiva, Sobral Gordo, Vale do Torno, Porto Silvado e até mesmo do Piódão) ao resto do mundo. Este sobralmagrense negociava também em madeiras dos pinhais que comprava e depois vendia parta as fábricas de celulose e de construção de móveis.

Na taberna do ti Pereira funcionavam os Correios. Era ali que se recebia e enviava a correspondência. Todos os dias, a tia Urbana (do Piódão) e mais tarde os filhos, a Laurinda e o Xico faziam a pé duas vezes o trajecto entre o Piódão e Pomares, levando e trazendo as cartas das aldeias por onde passavam.
À hora da chegada do carteiro, juntava-se ali grande parte das pessoas da povoação. Os nomes das pessoas eram lidos em voz alta e, conforme recebiam a correspondência, lá seguiam para casa para lerem as notícias dos seus familiares, ou para lerem as cartas enviadas por algum pretendente.
O ti Pereira era também um hábil sapateiro. Junto à taberna, havia uma loja onde se concertava e fazia calçado, chegando a dar trabalho a várias pessoas da freguesia.
De vez em quando apareciam na terra vendedores: ourives, sardinheiras, padeiras, vendedores de roupa, ... Como não havia estradas, deslocavam-se a pé, ou a cavalo. Por vezes apareciam os carros de bois trazendo cargas mais pesadas.
Actualmente, continuam a vir vender os seus produtos alguns comerciantes da região, mas fazem-no já em carrinhas ou camionetas.

Há alguns anos atrás acabaram as lojas na povoação. Com a construção da Casa de Convívio passou a funcionar na mesma um pequeno supermercado, onde as pessoas compravam produtos alimentares e de limpeza.

A EDUCAÇÃO
Durante muito tempo, a maior parte dos habitantes da aldeia eram analfabetos.
Era normal, à noite, os que queriam aprender a ler e escrever, irem para casa de alguém que o soubesse fazer para que ele os ensinasse.
Só a aprtir de 1938 passou a existir uma Escola em Sobral Magro, que era frequentada pelos alunos da nossa povoação e pelos alunos de Sobral Gordo, Soito da Ruiva, Porto Sivado e Vale do Torno.

Actualmente, com a falta de crianças na terra, o edifício foi alugado para habitação, pela Câmara Municipal de Arganil, a uma senhora holandesa.
A RELIGIÃO
Sobral Magro é uma terra de gente bastante religiosa. Possui uma bonita capela, de que não se sabe, ao certo, a data da sua construção. Sabe-se que foi acrescentada quando foi construída a torre do relógio e mais tarde quando foi alargada a Sacristia.
O padroeiro da povoação é S. Domingos e existem na Capela mais oito imagens: Santo António, Nª. Sra. da Guia, São Pedro, Santa Teresinha, Nª. Sra. da Conceição, Sagrado Coração de Jesus, Sagrado Coração de Maria e Nª. Sra. de Fátima.
Originalmente a Capela tinha um púlpito e um Confessionário que actualmente já não existem.

Em vários locais, era vulgar aparecer uma pequena construção ou simplesmente um nicho com uma pintura religiosa, símbolo da devoção às Almas do Purgatório - As Alminhas.
Eram pequenos e simples monumentos , erguidos quase sempre nas encruzilhadas dos caminhos rurais, o que possibilitava que um maior número de pessoas rezassem pelos defuntos.

Agricultura (aqui veja tudo sobre como se cultivam as terras por cá)
Alimentação (os costumes alimentares da população Sobral Magro)
Costumes e tradições (os nossos costumes todinhos aqui)
Criação de Animais
(desde cabras a porcos vê aquie tudo)
Festa (informações sobre a nossa festa anual)
Habitação (as casas tipicas da nossa aldeia)
Migrações (à procura de melhor vida)
Turismo (as belezas da nossa aldeia)
Vestuário
(os trajes tipicos dos homens e das mulheres)
Ao longo dos tempos os sobralmagrenses dedicaram-se à agricultura de subsistência.
A povoação e os terrenos que a circundam situam-se numa zona montanhosa tornando-se difícil o seu cultivo. Por essa razão, as encostas da serra foram cortadas em socalcos a que na nossa terra se dão o nome de cômbaros . Eram ligados uns aos outros por estreitas escadas de pedra, as escaleiras . Abriram-se minas, construíram-se açudes, levadas e tanques para melhor se aproveitar a água para as regas. No fim das colheitas a água era deitada à ribeira, onde permanecia até ao Verão seguinte. 
Cultivavam-se prioritariamente o milho. Para além deste, o feijão, as batatas, as hortaliças, o vinho e o azeite eram também cultivados por todos os sobralmagrenses. Penduradas nas paredes dos bocados, viam-se frequentemente as botelhas, que cultivavam para servirem de alimento dos porcos e, algumas vezes, para fazer a sopa de botelha, ou para a botelha doce. Os trabalhos agrícolas desenrolavam-se ao longo do ano, de sol a sol. Só no Inverno o trabalho se tornava mais leve. As pessoas cultivavam tudo o que podiam para seu consumo durante o ano. Nalguns anos, o que colhiam não chegava para alimentar as famílias que eram numerosas. Os utensílios mais utilizados na agricultura eram o sacho, a sachola, a enxada, o ancinho, a forquilha, a gadanha , a foice, o foição,... Utilizavam-se também as sacas, as cestas, os cestos, o alqueire,... Os produtos que colhiam e os utensílios que utilizavam no trabalho do campo eram guardados nas palheiras ou nas lojas da casa de habitação. 
As actividades agrícolas iniciavam-se com a cava dos terrenos. Homens e mulheres lado a lado, de enxada na mão, uns esquerdos outros direitos, revolviam as terras e adubavam-nas com o esterco que tiravam dos currais dos animais. O trabalho era árduo, e exigia conhecimentos, pois devido à inclinação dos terrenos tinha que se acertar o solo que, no ano anterior, deslizara com a água das regas para a ponta dos cômbaros. Ajudavam-se uns aos outros pois, entre cantares, ditos e mexericos, o trabalho não parecia tão pesado. feijão, as batatas, ... Na Primavera, semeavam-se os terrenos. Rasgavam-se regos onde eram semeados o milho, o feijão, as batatas,... 
O MILHO
Nascido o milho, era arralado, empalhado e enleirado.
Antes do Verão, as levadas eram limpas. Arranjavam-se os talhadoiros e iniciavam-se as andadas - ciclo de dias ou horas destinadas a cada fazenda, que eram religiosamente seguidos segundo herança de família. A rega prolongava-se até ao amadurecimento da espiga.
Entretanto o milho continuava a exigir cuidados. Cortavam-se as bandeiras, desfolhavam-se as plantas e eram postas em molhos (manojas) a secar . 
Depois enfaixavam-nas isto é, faziam molhos de manojas e guardavam-nas nas palheiras ou vendiam-nas. No Inverno serviriam para alimento dos animais em dias de chuva. Chegado o São Miguel, cortavam-se as espigas secas e transportavam-nas em cestas ou em sacas para as palheiras ou para casa. Ali eram descamisadas, isto é tirava-se o folho que envolvia a espiga. Os folhos eram depois aproveitados para encher os colchões das camas.

As espigas eram depois debulhadas . Novamente as pessoas juntavam-se e ajudavam-se mutuamente.
Os homens malhavam as espigas com um pau até o grão começar a sair enquanto as mulheres e crianças, com as mãos, retiravam o resto do grão dos casulos. O milho era depois posto a secar nas eiras, onde era erguido a fim de o limpar. Mais tarde, era guardado nas arcas para, durante o ano seguinte, ser utilizado para fazer farinha e para alimentação de animais.

Para fazer a farinha, o milho era levado para os moinhos existentes junto à ribeira e era deitado na moega. O chamadouro encaminhava-o para o buraco existente no centro de uma grande pedra circular que o esmagava, devido ao movimento produzido pela força da água da ribeira. Assim se transformava em farinha que era colocada em sarrões e levada para casa a cabeça ou às costas.
A broa cozia-se semanalmente nos fornos comunitários.

A farinha era peneirada para a gamela onde era amassada com água e o crescente (um pouco de massa da anterior fornada que servia de fermento). Depois de amassada, era feita uma cruz sobre a massa, tapava-se e ficava a fintar .

Enquanto a massa levedava, deitava-se o lume ao forno. Durante algum tempo, a lenha ardia até as paredes do forno ficarem brancas, sinal de que o forno se encontrava suficientemente quente. Com o vassouro feito de mato varria-se o resquício (brasas e cinza) para a porta do forno.
Começavam a colocar-se pedaços de massa já lêveda numa malga própria , fazendo-a rolar tendendo-se assim as broas e as bolas umas de carne, outras de bacalhau, outras de cebola ou com sardinha. Colocavam-nas então na pá que as levava para o seu lugar no forno. Fechava-se a porta à qual se encostavam as brasas e, de vez em quando, espreitava-se para verificar se o pão já estava cozido.

Rapava-se a gamela e aproveitavam-se os restos da massa para guardar na malga para a próxima cozedura.
Depois de cozida a broa guardava-se para se ir consumindo ao longo da semana.
VINHO
As extremidades dos terrenos de cultivo eram sempre orladas por filas de videiras, como se de um gradeamento se tratasse. Por vezes, também apareciam em latadas à porta das casas ou das palheiras.
As videiras necessitavam de muitos cuidados: eram podadas e atadas. Mais tarde, pulverizavam-se com sulfato e enxôfre, para combater as pragas que as pudessem atacar e prejudicar.
Durante o Verão eram esparradas para os cachos poderem amadurecer melhor.

Chegada a época das vindimas, as uvas eram cortadas e carregadas em cestas para as lojas, onde eram pisadas pelos pés hábeis dos homens. Este trabalho era feito em celhas ou em dornas.
Nas dornas permanecia sumo e cardaço, que fervia até se dar a transformação em vinho. Entretanto bebia-se o vinho doce.
Já pronto, o vinho era despejado nos pipos onde permanecia até estar pronto para beber. 
O cardaço que sobrava era levado para os alambiques. Aí, era colocado na cabeça do alambique e, por acção do calor produzido por uma fogueira, o álcool ainda existente no cardaço, evaporava e percorria uma serpentina que atravessava um tanque de água fria, passando ao estado líquido e dando assim origem à famosa aguardente de bagaço da nossa terra.
Este trabalho requeria muita atenção por parte de quem o fazia, pois a água que arrefecia a serpentina tinha que ser renovada à medida que aquecia e o calor produzido pela fogueira tinha que ser certo, para o bagaço não sair mijoca.
Outra bebida que se fazia a partir do vinho e era muito apreciada na região, era a jeropiga.

O AZEITE
As oliveiras eram também limpas e cuidadas, para poderem produzir o azeite suficiente para as necessidades de cada família.
Antes do Inverno, apanhavam a azeitona. Levavam-na em sacas para o lagar, onde era moída entre as galgas (duas grandes e pesadas pedras) e espremida nas ceiras. O azeite escorria para as pias onde era lavado com água a ferver e, quando os dois líquidos se separavam, tirava-se o azeite que vinha à tona, para dentro de ôdres onde se transportava para casa.

Aí era guardado nas lojas dentro das pias de azeite. Sempre que necessário, ia-se lá buscar para colocar nas candeias e lanternas de iluminação ou nas almotolias para ter na cozinha pronto para qualquer refeição.

RECEITAS:
Chanfana
Tigelada
Arroz Doce
Coscoréis
Pão Leve
Torresmos
Bola de Bacalhau
Bacalhau assado com batatas a murro
A alimentação dos habitantes de Sobral Magro era pouco variada.
Comiam os produtos que a terra e os animais lhes davam, predominando as batatas, o feijão, hortaliças, a broa , os enchidos ou o toucinho. Diariamente, a sopa era o prato obrigatório. De vez em quando, recorriam ao bacalhau que compravam nas tabernas da aldeia.
Algumas raparigas da terra iam a Pomares comprar caixas de sardinha, carapau ou chicharro que depois vendiam na povoação e nas povoações vizinhas; outras vezes eram as sardinheiras de Pomares que vinham vender ao Sobral Magro .
Em dias de feira e seguintes, era também usual comprarem-se estes peixes que por vezes se punham a secar no fumeiro, para se conservarem mais alguns dias.

Em tempos de crise, uma sardinha era dividida em três partes e dava para três pessoas da família. Quando chegava algum familiar de Lisboa, era também costume trazerem peixe já frito, que distribuíam pela família e amigos. Nesse dia, a refeição era diferente. Quando se cozia ( fabrico da broa), era frequente assarem-se batatas, bacalhau e cebolas no resquício, para serem consumidos na refeição seguinte (bacalhau com batatas a murro). Na altura da matança do porco, enquanto duravam os trabalhos de tratamento para se conservarem durante o ano, comiam-se as suas carnes confeccionadas de várias formas. O processo de conservação era feito no fumeiro , na salgadeira e em talhas de barro coberta de banha, após a fritura.

Era também muito apreciado o sangue de porco cozido, mas um dos pratos mais apreciados na nossa região eram os tostelos, que se conservavam em banha e se iam comendo ao longo do ano.
Era também vulgar comer-se o carolo que era uma papa feita de farelos de milho e, outras vezes a botelha doce.
Em certas alturas do ano, apanhavam os tortulhos e míscaros que se cozinhavam de diversas maneiras.
Quando alguém estava doente, matava-se uma galinha para se cozer e fazer a canja.
Na época da caça, era vulgar comerem-se os coelhos bravos, as lebres e as perdizes.
Por vezes, alguns homens iam para a ribeira onde faziam grandes pescarias, apanhando trutas e enguias, que mais tarde serviam também de refeição.

No tempo das castanhas faziam-se os magustos e punham-se a secar algumas que se iam comendo durante o ano (castanhas piladas).
Em dias de festa, todas as famílias tinham comida melhorada. Matavam a melhor cabra ou ovelha para confeccionarem a carne fresca e o arroz de fressura. Faziam-se também alguns doces tradicionais da região: a tigelada, o arroz doce, os coscoréis e o pão leve.

Sempre que se deslocavam a alguma festa ou romaria, arranjavam também uma bucha melhorada: coelhos ou galinhas assados, queijo, chouriço, um bom naco de presunto, bacalhau frito que eram acompanhados com broa e tudo bem regado com o vinho que produziam.
Na época da apanha da azeitona eram também célebres as tibornadas. No próprio lagar coziam-se batatas com bacalhau e couves, que depois eram comidas, generosamente regados com azeite novo.
Para além destes alimentos, havia famílias que faziam o mata bicho com sopas de cavalo cansado.
